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Quando o colesterol bom fica ruim

02/06/2010

Quando o colesterol bom fica ruim

Autor: Marcos Muniz

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Quando o colesterol bom fica ruim

Todos já ouvimos à exaustão sobre a importância de elevar o HDL, o chamado "bom" colesterol, e diminuir o LDL, ou colesterol "ruim", para melhorar a saúde do coração.

Mas um novo estudo realizado na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, mostra que, para um grande número de pessoas, nem sempre o colesterol HDL é uma coisa intrinsecamente boa.

O trabalho descobriu que um nível elevado de colesterol supostamente bom coloca um grupo de pacientes sob alto risco de eventos coronarianos recorrentes, como dor no peito, ataque cardíaco e morte.

Revolução frustrada

Os resultados podem ajudar a explicar os resultados decepcionantes de um medicamento experimental - o Torcetrapib, da empresa Pfizer - projetado para aumentar os níveis de colesterol HDL e que chegou a ser apregoado como uma revolução no tratamento das doenças cardiovasculares.

O teste do novo medicamento foi interrompido em 2006 devido a um número surpreendentemente excessivo de eventos cardiovasculares e de morte associados ao seu uso.

Como neste novo estudo, os eventos cardiovasculares nos testes do Torcetrapib foram associados com níveis mais elevados do "bom" colesterol HDL, embora as razões para isso ainda não estejam muito claras.

Risco do colesterol bom

A parcela da população pertencente ao grupo de alto risco - para os quais o aumento do colesterol HDL pode ser algo muito ruim - foi caracterizada como sendo formado por pessoas com altos níveis de proteína C-reativa (CRP), um conhecido indicador de inflamações, assim como do próprio nível elevado do colesterol HDL.

Cerca de 20 por cento da população total do estudo - 767 pacientes - foi classificada no grupo com risco elevado de colesterol HDL elevada e PCR.

Ainda não existem dados para indicar o percentual da população como um todo que estaria sujeito a essa condição.

Fatores genéticos e ambientais

Os autores do estudo acreditam que fatores genéticos e ambientais, principalmente a inflamação, influenciam se os níveis elevados de colesterol HDL terão efeito protetor ou se vão aumentar o risco cardiovascular.

Dado um ambiente inflamatório, o conjunto único dos genes de um indivíduo ajuda a determinar se o colesterol HDL passa de bom para ruim no processo de uma eventual doença cardíaca.

No grupo de alto risco dos pacientes com colesterol HDL elevado e CRP, os pesquisadores identificaram dois fatores genéticos associados com eventos coronarianos recorrentes.

A atividade da proteína de transferência de éster de colesterol (CETP), que move o colesterol para longe do sistema vascular e está associada com o colesterol HDL, e a p22phox, que influencia os processos relacionados com a inflamação e está associada à PCR, são indicadores de risco neste grupo de pacientes.

Medicina personalizada

"Identificar esses pacientes e determinar o que os coloca em alto risco pode ser útil na escolha de tratamentos adaptados às necessidades específicas de subgrupos de pacientes em particular. Isso nos leva um passo mais perto de alcançar o objetivo da medicina personalizada," prevê o Dr. James Corsetti, coordenador do estudo.

"A capacidade de identificar os pacientes que não irão se beneficiar de esforços para aumentar o colesterol HDL é importante porque eles podem ser excluídos dos testes de medicamentos que visam aumentar o colesterol HDL," afirma Charles Sparks, coautor do estudo.

Contra as evidências

Apesar do resultado negativo do Torcetrapib e de novas descobertas recentes, incluindo este novo estudo, que sugerem que o colesterol HDL elevado pode ser uma coisa ruim, as empresas farmacêuticas continuam trabalhando firme na identificação de novas drogas para aumentar o colesterol HDL.

A Merck anunciou recentemente planos para iniciar um ensaio clínico em 2011, para testar se o Anacetrapib - um primo molecular do Torcetrapib - reduz o risco de ataque cardíaco e morte atuando justamente na elevação do colesterol HDL.

Graduação de Marcos de Souza Muniz
* Graduado em Educação Física (EEF-UFMG); (1990)
* Diretor fundador da Academia Wall Street Fitness.(1991)
* Graduado fisiologia do exercício: emagrecimento e hipertrofia pela UFMG 1992
* Graduado Exercício e o Coração pela Associação Médica de Minas Gerais. (1994)

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