07/12/2011
Nutricionista Bárbara Starling BH
Autor: Marcos Muniz / Texto: Luciana Avelino | Fotos: Pedro Vilela
Emagrecer sem sofrer.

Nutricionista Bárbara Starling, uma das mais requisitadas da capital mineira, dá dicas de alimentação equilibrada.
Embora recorrentes, temas correlacionados a emagrecimento e manutenção do peso ideal estão sempre na pauta do dia. Da mesma forma, parece que nunca foi tão difícil estar de bem com a balança, consequentemente com a saúde, e não se perder no emaranhado de fórmulas mágicas. Causas externas não faltam para os descontroles e exageros alimentares nossos de cada dia: estresse, pressões, apatias, depressões. O Brasil ocupa hoje a 19ª posição masculina e a 15ª feminina no ranking mundial de obesidade segundo o IBGE e a Organização Mundial de Sáude (OMS). Mais da metade da população brasileira está acima do peso. Os Estados Unidos continuam liderando, com 31% da população. A demanda crescente por orientações alimentares para se manter na linha é, pois, prova deste senhor desafio. Que o diga a nutricionista mineira Bárbara Starling, em seu consultório na capital mineira, onde atende diariamente clientela eclética e de alto poder aquisitivo. Especialista em nutrição esportiva pela Uni-BH, com pós-graduação em nutrição clínica funcional pela Unicsul, ela está entre as mais cotadas profissionais do segmento de Belo Horizonte. Para se consultar com Bárbara, só em 2012. Mas, pela conversa esclarecedora, postura séria e bagagem profissional que demonstra ao falar sobre a área, a espera parece valer a pena. Apesar de estremecer nossas doces ilusões a respeito de facilidades e recursos lançados a todo instante pelo mercado (leia-se remédios, produtos lights e afins) e jogar por terra mitos difundidos aos quatro cantos que, popularmente,integram manuais de dietas, Bárbara é convincente. Mostra-nos os outros lados da moeda: a dificuldade de se tentar manter com peso confortável e saudável e o paradoxo entre o que se vê e a realidade. Segundo Bárbara, há muitos corpos por aí enquadrados no padrão de beleza atual que ocultam comportamentos anoréxicos, bulímicos e mentes obsessivas. A frase-resumo do lema pregado pela nutricionista é simples: “É preciso eliminar da dieta a palavra sem. Proibir não adianta. O caminho é a reeducação alimentar, que não tem a ver com contagem de calorias e, sim, com o equilíbrio de nutrientes, proteínas, com a saúde.” A nutricionista é realista. Para ela, manter-se bem com o corpo é questão de consciência. “Não há receita pronta e que possa ser repassada para o outro. “ A seguir, alguns pontos de vista da profissional em relação a dúvidas, mitos e verdades desse universo que inclui prazer e culpa.
Manutenção de peso após o emagrecimento
O mais importante é optar por um tipo de emagrecimento, de dieta alimentar, que possa ser sustentado posteriormente. A chave da matemática está no processo. Não adiantar primeiro emagrecer bruscamente e, só depois, tentar manter o peso. Isso não funciona. Dessa maneira, a pessoa com o tempo vai relaxando e, sem perceber, volta aos antigos maus hábitos. É durante o emagrecimento que a alimentação precisa ser reeducada. Com isso, naturalmente, o corpo vai se acostumando, adaptando-se à nova realidade de quantidade de porções, horários. Gosto de fazer analogia a uma pessoa que não tem educação. Ela pode até fingir por um tempo, mas em algum momento vai deixar transparecer que não é bem assim. Em relação às nossas papilas gustativas, há como educá-las. É possível, por exemplo, estimular uma pessoa habituada a consumir muito sal ir se acostumando a diminuir a quantidade. À medida que vai se adaptando, o paladar passa a conseguir perceber sabores mais suaves.
Dificuldades de dizer não à gula, aos excessos
Refletem como a pessoa foi educada para se relacionar com a comida. É um espelho do padrão familiar aplicado na infância em relação à alimentação: de compensação ou estímulo. Antigamente, a magreza de uma criança era associada à falta de saúde e, a robustez, ao inverso. Por outro lado, anteriormente, não havia tantos alimentos industrializados, tanta variedade de produtos que, de certa forma, funcionam como grandes apelos e facilitadores do consumo. A comida hoje é também associada à sofisticação, ao prazer. Se antes o maior problema era a falta de comida ou mais restrição, agora vivemos a era dos excessos.
Perda de peso X Alimentação Saudável
O foco principal tem de ser da nutrição do corpo. Se o que se come está trazendo benefício,adicionando qualidade. Hoje, vivemos em um mundo light, do sem calorias. Na verdade, o metabolismo que gera emagrecimento é o de um corpo bem nutrido e, não, o desprovido de calorias. Não adianta comer menos. É preciso comer o necessário. Oriento meus pacientes o seguinte: caso comam mais em um dia, no outro, que sejam mais ponderados. A ingestão de calorias diárias não é fixa, já que está sujeita a uma série de oscilações. Uma atividade física mais intensa, horas a menos dormidas requerem necessidades nutricionais diferenciadas.Nos casos citados, uma alimentação mais elaborada. Se a pessoa comer o que o corpo precisa, na hora certa, o organismo terá condição de transformar em energia, não, estocar. Se passar da conta, a tendência é do corpo estocá-la na forma de gordura para quando houver carência ter de onde recorrer. Deve-se evitar longos períodos sem se alimentar porque, como o organismo se adapta para sobreviver, passa a economizar o máximo de energia possível, tendendo a estocar. Sugiro alimentação de três em três horas para que o corpo fique constantemente nutrido.
Linha de trabalho nutricional
Sou contra dietas que se fixam, pura e simplesmente, na ingestão de determinado número de calorias.Isso é muito ultrapassado. Temos de pensar o funcionamento do corpo como uma teia, de maneira que cada nutriente participa de forma importante, ao passo que, na falta de um, o todo é comprometido. Junto ao paciente tento elaborar uma alimentação mais adequada ao seu perfil, idade, gostos. Não adianta seguir a dieta que a amiga teve sucesso, a da moda, porque cada organismo funciona de forma muito pessoal. Levo em conta sua rotina, logística para levar adiante o planejamento, a atividade física que executa, seu nível de estresse, a qualidade do seu sono e educação alimentar recebida pelos pais.De acordo com os feedbacks, vamos fazendo ajustes. Quando atinge o peso ideal, passamos para a fase de manutenção, que também não pode ser sofrida para o organismo.
Influência da idade no processo do emagrecimento
Com o passar dos anos, fica mais difícil mesmo perder peso. A idade significa perda da eficiência na replicação celular e da massa muscular. Para evitar ou amenizar a situação, deve-se ingerir alimentos antioxidantes (como as frutas), evitar longos períodos sem se alimentar, fazer atividade física regular para estimular a musculura, manter boa hidratação, sono de qualidade.
Dietas da moda
Não sou adepta a nenhuma dieta da moda. A da proteína, por exemplo, compromete a saúde em função da enorme sobrecarga renal que causa. A do tipo sanguíneo, por sua vez, não tem nenhuma fundamentação científica. É quase uma imaginação. A sem glúten foi desenvolvida para celíacos e pessoas que têm alto grau de intolerância e, não, para emagrecer, já que é muito radical e difícil de se dar continuidade.
Importância do nutricionista na perda e manutenção do peso
Hoje, a partir da democratização e difusão da informação por tantos meios de comunicação, a maioria das pessoas tem boas noções do que contribui e atrapalha a ter uma dieta saudável.O difícil é como colocar isso tudo em prática. Esse é o nosso papel. Auxiliá-las a colocar seus conhecimentos em prática. Para se ter uma alimentação sadia temos que ser criteriosos com o que comemos, vigilantes aos vícios particulares. A vontade e persistência de ser saudável têm de partir do paciente e, não, da imposição do profissional.
Consumo de leite e carne
Não sou contra o consumo de nenhum dos dois, desde que seja de forma controlada. Leite e derivados em excesso podem acarretar alterações que comprometem o funcionamento do intestino, ativar doenças alérgicas, aumentar a formação de muco. Já ingerir muita carne tem como consequência alta de colesterol e acidez renal.
Uso de inibidores de apetite
Encaminho para outros profissionais apenas em casos de obesidades extremas. Do contrário, corre-se o risco do usuário desenvolver vício, dependência. A pessoa pode acreditar que só consumindo tais medicamentos será capaz de ter forças para ter uma dieta mais restritiva. Outros poréns são efeito rebote, taquicardia e alterações de humor e sono.
Consequências e causas do sobrepeso
Consequências: aumento de chances de problemas do coração, de pressão, circulatórios e diabetes
Causas: Estresse, sono de má qualidade, baixa de libido, ansiedade excessiva e perfeccionismo.Há estudos que apontam a grande incidência de pessoas com perfis perfeccionistas a padrões de obesidade. Elas são tão exigentes consigo mesmas que, se frustradas, acabam compensando na comida.Isso ocorre porque quando a pessoa se empanzina, aumenta-se a produção de serotonina e,consequentemente, a sensação de prazer. Com o excesso de comida, o corpo direciona a energia para a digestão, gerando sensação de calma.
Mitos e verdades do emagrecimento
Verdades: tomar água ao acordar; comer arroz com feijão não engorda (essa é uma das melhores combinações nutricionais, é riquíssima); água com gás não é recomendável (prefira a natural, assim como sucos naturais ao invés de refrigerantes)
Mitos: consumo de produtos lights é sempre melhor (nem sempre. A Coca zero, por exemplo, vende imagem de que se pode tomar à vontade, mas é também zero em nutrientes, rica em produtos químicos). O adoçante é outro produto que deve ser evitado e substituído por açúcar mascavo, mel ou estévia. Produtos lights tendem a ter excesso de sódio, que fazem inchar e reter líquido; lanchar é melhor do que jantar (depende: às vezes é melhor optar por um prato de carne grelhada e salada do que comer vários produtos aparentemente menos calóricos)
Educação alimentar na infância
A criança precisa de limites na hora de comer. O não é não. O ideal é não negociar com o filho durante a refeição (recompensá-lo com presentes e passeios caso coma tudo pode abrir espaço para que futuramente associe seu apetite a esses tipos de ganhos). Quem decide a comida dos filhos são os pais. Eles têm de oferecer o que está disponível. Caso mostrem resistência, deixe, com certeza irão comer quando sentirem fome. Crianças normalmente têm estômagos pequenos, satisfazem-se mais rápido. Nunca se deve fazer associação de chocolates, doces com fins de semana. A criança pode promover uma espera ansiosa pelos sábados e domingos ou nestes dias cobrar o consumo. A introdução desses alimentos tem de acontecer natural e esporadicamente. O excesso e o consumo diário de açúcar na infância podem tornar um adulto dependente amanhã.
Tentações do dia a dia
Para driblar as mil e uma tentações de comidas e bebidas, é bom chegar à mesa com leve apetite. Com fome, viramos animais, ficamos irracionais. Antes de sair de casa para eventos gastronômicos, sugiro comer algo leve, que alimente, para não chegar querendo comer de tudo. É interessante deixar o prazer da degustação para comidas mais elaboradas.
Padrão de peso idealizado pela mídia
O excesso hoje encontra-se até na cobrança pelo corpo perfeito das modelos de revistas, atrizes da TV. Muitas vezes estar acima do peso não quer dizer necessariamente que há problemas de saúde. Mas, pode haver desconforto por conta do olhar do outro. Quantas pessoas há por aí que, mesmo magérrimas e lindas, não têm boa autoestima e não vivem em paz com a comida (desenvolvem padrões bulímicos, anoréxicos), enquanto outras, nem tão magras assim, são supersaudáveis. Erroneamente, o olhar em relação ao sobrepeso do outro tende a ser interpretado como fracasso e indisciplina. Em detrimento do visual, as pessoas se esquecem de como estão se sentindo (com fome; alimentadas por uma dieta pobre em nutrientes; e, muitas vezes, tornando-se alvos fáceis de doenças físicas e psíquicas).
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Graduação de Marcos de Souza Muniz
* Graduado em Educação Física (EEF-UFMG); (1990)
* Diretor fundador da Academia Wall Street Fitness.(1991)
* Graduado fisiologia do exercício: emagrecimento e hipertrofia pela UFMG 1992
* Graduado Exercício e o Coração pela Associação Médica de Minas Gerais. (1994)

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