04/01/2012
Raio-x da geladeira
Autor: saude.terra / Foto: Getty Images / Danielle Barg

Geladeiras em foco: saiba o que a sua diz sobre você.
Junks, naturebas, comilões ou obcecados pelos produtos light. Todas as tribos se encontram, ao menos uma vez por dia, diante de uma mesma situação: de olho no que a geladeira nossa de cada dia tem a nos oferecer. Mais do que manter a temperatura dos alimentos, a geladeira é um item doméstico que acaba revelando muito sobre os hábitos das pessoas que a cercam. Na busca por uma alimentação adequada, ou apenas por ter uma boa reserva de guloseimas caso se inicie a Terceira Guerra Mundial, muita gente acaba cometendo excessos.
O Terra conversou com alguns nutricionistas para investigar onde estão os principais erros neste sentido, tanto do ponto de vista nutricional, quanto sob a ótica do desperdício. Nas abas, você encontrará seis públicos distintos: homens solteiros, mulheres solteiras, recém-casados, famílias pequenas, famílias grandes e idosos. A ilustração mostra uma geladeira típica – que reflete alguns exemplos de erros comuns. Arrastando a imagem, você pode ver como deixar sua geladeira um pouco menos sobrecarregada de calorias e de produtos que acabarão na lata do lixo. Confira.
Homens solteiros
De acordo com Viviane Chaer Borges, nutricionista do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, o maior problema da geladeira do homem solteiro é o desperdício, de um modo geral. Como passa a maior parte do tempo fora de casa, acaba comprando alimentos que não vai consumir. “O homem solteiro normalmente não toma café em casa. Ele muitas vezes prefere tomar na padaria, porque dificilmente vai acordar mais cedo pra fazer café e arrumar a mesa. O almoço, de um modo geral também é na rua. A refeição em casa acontece só à noite, ou no fim de semana”, observa.
Sendo assim, um erro bastante comum, mesmo entre os saudáveis, é saber dimensionar a quantidade dos alimentos a serem comprados. “Normalmente, ele não tem muita noção da duração das frutas e legumes. É comum comprar seis maçãs e acabar jogando fora”, explica.
Carlos Canavez Basualdo, nutricionista clínico do Hospital Sírio-Libanês, confirma a tese com base na própria experiência. “Nós homens somos carnívoros e temos a ilusão de que algum dia vamos fazer um belo filé mignon, aí acabamos comprando e ele fica lá, um ano no congelador”, observa. Veja alguns dos erros mais comuns na ilustração.
Mulheres solteiras
Diferentemente dos homens, as mulheres solteiras são mais ligadas aos detalhes e à estética dos produtos, segundo indica o nutricionista Carlos. No entanto, elas às vezes exageram na dose da empolgação. “Se uma amiga falou que comprou um produto bom e, para ela, funcionou, ela vai lá e compra também. Mas às vezes pode ser um produto com marketing enganoso e ele vai acabar ficando lá na geladeira”.
Outra característica bastante comum entre as mulheres é a obsessão por alimentos light. “A mulher exagera na compra de alimentos light porque acha que isso não vai engordar. Na verdade, ele tem um percentual menor de gordura, mas se ela comer em excesso, também vai engordar”, explica.
Ele indica que o ideal mesmo seria que a mulher limitasse sua compra semanal ao que realmente vai consumir, pensando em um plano diário. Sendo assim, as melhores alternativas são os produtos individuais ou em quantidades menores.
Recém-casados
Empolgação, casa nova e cozinha tinindo, pronta para ser pilotada. Este é o cenário típico onde está instalada a geladeira dos recém-casados, conforme observa o nutricionista Carlos. “Geralmente, essas pessoas acabam comprando alimentos que nem sabem como preparar. Querem impressionar, cozinhar um para o outro”, conta.
Segundo o especialista, a geladeira do recém-casado é um local “festivo”, cheia de produtos sofisticados que, dependo do ritmo de vida do casal, servem mais como enfeite do que propriamente como uma opção a ir para a panela.
Outro problema apontado pelo nutricionista é a dificuldade do casal em individualizar os gostos pessoais sem cometer exageros. “Não é pra comprar tudo em dobro, mas é para comprar o que cada um gosta, em porções individuais”. Como é um público que geralmente só come a noite em casa, a listinha do mercado pode ser mais reduzida. Acompanhe no gráfico.
Famílias com filhos pequenos
A vida de quem tem bebês ou crianças pequenas em casa não é tão fácil. Com tantas novidades e afazeres que chegam junto com os pequenos, a palavra que impera é a praticidade.
Uma preocupação dos especialistas neste sentido é o excesso de opções consideradas de fácil preparo, porém industrializadas, e a ausência da variedade de nutrientes na alimentação da criançada. Confira um bom e um mau exemplo.
Famílias grandes
As geladeiras de famílias grandes juntam a fome com a vontade de economizar. Na ponta do lápis, comprar fardos de refrigerantes, pacotes ou caixas fechadas de determinados alimentos acaba sempre saindo mais barato. Com isso, cometer excessos na alimentação vira uma consequência bem comum em lares deste tipo.
De acordo com Sandra da Silva Maria, nutricionista funcional da Clínica Gastro Obeso Center, de São Paulo, outro problema é a enorme variedade de opções, em busca de atender o gosto de todo mundo. “Tem um pouco de tudo porque cada um gosta de uma coisa.
Idosos
Na geladeira das pessoas idosas o grande vilão são as letras miúdas. Como muitos já não têm 100% da visão, a data de vencimento vira um detalhe que passa despercebido e é aí que mora o problema, aumentando o risco da ingestão de alimentos estragados. No entanto, diferente dos jovens, os idosos preferem frutas, verduras e legumes às guloseimas.
Em termos de quantidade, eles também acabam cometendo alguns equívocos. “Eles perdem um pouco da referência porque passaram a vida inteira comprando em grande quantidade por causa dos filhos”, afirma a nutricionista Sandra. Ela explica que isso resulta em muita sobra e alimentos estragados, porque, além disso, os idosos tendem a comer menos com a idade.
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